Milhares de arouquenses fizeram a festa na Catedral da Luz
Derrota contra o Benfica não tirou brilho
á presença do FC de Arouca na Taça de Portugal
O Benfica, a pensar na próxima jornada europeia, poupou em jogadores e energia e apresentou um onze desfalcado de alguns titulares, acabando por garantir a presença na quarta eliminatória da Taça de Portugal, com uma goleada caseira por 5-1 ao FC de Arouca, que se apresentou em Lisboa bastante motivado, depois do empate frente à Académica, e com uma impressionante legião de adeptos, que não se arrependeram de fazer mais de 600 km para assistir a um jogo histórico, realizado a horas impróprias, só para salvaguardar interesses televisivos.
Num jogo tranquilo, mas que não deixou de ser emotivo quanto baste, um “bis” de
Kardec (24 e 45 minutos) e golos de
Saviola (31),
Luisão (66) e
Gaitan (86) garantiram aos anfitriões uma vitoria fácil perante o oitavo classificado da Liga de Honra, que ainda conseguiu marcar aos 87, por intermédio de
Diogo, para gáudio de milhares de arouquenses espalhados pelas bancadas da Catedral da Luz.

Dada a proximidade dos compromissos das selecções e da terceira ronda da
Liga dos Campeões, o treinador dos “encarnados”,
Jorge Jesus, deu a titularidade ao guarda-redes Júlio César, colocou Airton como lateral direito e Sidnei a central, enquanto César Peixoto fechava o flanco esquerdo.
Era um jogo de grande expectativa e apesar da dilatada derrota no
Estádio da Luz, frente ao Benfica, actual campeão nacional, o
FC de Arouca deixou uma imagem bem positiva na deslocação à capital portuguesa, neste confronto da terceira eliminatória da
Taça de Portugal.
A equipa de
Henrique Nunes apresentou-se na Catedral de " peito aberto ", sem medo da grandeza do adversário, com um futebol solto, pratico e bonito, sustentado num arrojado sistema
4x2x3x1, que obrigou o
Benfica a aplicar-se bem para suster o ímpeto ofensivo dos arouquenses, que dominaram a partida no quarto de hora inicial.
No reduto do campeão, o
FC de Arouca mostrava as suas credencias e evidenciava a verdadeira razão porque estava nas três frentes do futebol português, depois de um empate motivador com a Académica para a
Taça da Liga, onde foi amplamente prejudicado por Olegário Benquerença.

Mas a jornada da
Taça de Portugal foi dia de festa para as hostes arouquenses, que viveram com intensidade e muita alegria este momento único e histórico de jogar contra o Benfica no emblemático cenário do Estádio da Luz, com o concelho de
Arouca a mobilizar-se para uma presença digna e esmagadora, protagonizando uma mega excursão que levou mais de três dezenas de autocarros até à capital, totalizando mais de
3500 adeptos.
E até não faltaram
emigrantes vindos de todo o mundo, destacando-se aqueles que fizeram questão de alugar um avião, vindo de
Paris, para vir a Lisboa de propósito ver o seu Arouca a jogar no maior estádio português…
Um número bem expressivo, principalmente atendendo à totalidade de sócios que o clube arouquense tem, pouco mais de 1.300, ou até mesmo os cerca de 23 mil habitantes do território de Arouca….
Foi uma jornada de festa, alegria e convivialidade…o
Arouca tem tradições na Taça de Portugal, já que no ano passado deu nas vistas e só bloqueou perante o
Paços de Ferreira, depois de ter eliminado o
Marítimo, mas o ano de 2010 tem sido verdadeiramente fantástico para a equipa arouquense, já que depois de se ter sagrado
Campeão Nacional da 2ª Divisão e, por inerência, adquirir o estatuto do futebol profissional, está a dar cartas na Taça da Liga, e começou bem o campeonato da
Liga de Honra, acabando por cair agora aos pés do Campeão Nacional, numa jornada da Taça que, independente do desfecho final, serviu para escrever mais uma página de glória no livro de memórias onde estão registados os feitos notáveis da colectividade aveirense desde a temporada de
2006/07.

Sem dúvida o dia
16 de Outubro fica na história! Apesar da goleada de 5-1, o
FC Arouca mostrou-se ao mundo, espalhou a sua magia, a sua grandeza e, acima de tudo, a sua ambição. A cor, a emoção, a vibração de milhares adeptos nas bancadas, fez bater o coração, num jogo que ficará para sempre... na memória de todos !
O simbolismo de defrontar os campeões nacionais pela primeira vez nos seus
59 anos de história foi, provavelmente, a principal razão que sustentou a forte adesão dos arouquenses a este jogo, mas também foi o contexto de festa associado aos jogos da Taça de Portugal que movimentou as gentes do concelho, orgulhosa dos feitos do seu principal clube que, ainda há quatro épocas atrás, militava os distritais da
Associação de Futebol de Aveiro.

Um apoio incondicional das gentes da terra que foi assumido como uma manifestação de orgulho e de regozijo para com o ciclo de cinco anos de sucessos que o clube concluiu no final da última época e que lhe permitiu ascender, sucessivamente, desde os distritais até aos campeonatos profissionais, onde tem realizado uma carreira notável.
Um feito extraordinário e mediático da estrutura directiva liderada por
Carlos Pinho, que ainda não trouxe o devido reconhecimento à região de Arouca, embora essa “ nuance” não possa servir de atenuante ao estatuto de verdadeiro exemplo que o clube representa no seio do futebol nacional, principalmente atendendo ao contexto de crise global que a todos atinge e que é transversal a quase todas as vertentes da sociedade.
JOGAR SEM MEDO NA CATEDRAL DA LUZ
Jogo disputado no
Estádio da Luz, em Lisboa.
Ao intervalo: 3-0.
Marcadores:
1-0, Kardec, 24 minutos.
2-0, Saviola, 31.
3-0, Kardec, 45.
4-0, Luisão, 66.
5-0, Gaitan, 86.
5-1, Diogo, 87.
Equipas:
- Benfica:
Júlio César, Airton, Luisão, Sidnei, César Peixoto, Javi Garcia (Luís Filipe, 46), Sálvio, Gaitan, Aimar (Nuno Gomes, 68), Saviola (Weldon, 61) e Kardec.
(Suplentes: Moreira, Luís Filipe, Fábio Faria, Felipe Menezes, Jara, Weldon e Nuno Gomes).
- Arouca:Pedro Soares, William, Fernando, Hernâni (Paulinho, 72), Steven, Hélder Silva, Diogo, Babanco (Hugo Monteiro, 72), André Soares (Nené, 55), Jorge Leitão e Jeremie.
(Suplentes: Marco, Hugo Cruz, Pardi, Nené, Paulinho, Hugo Monteiro, Kiko).
Árbitro:
Marco Ferreira (Madeira).
Acção disciplinar: cartão amarelo para William (44) e Steven (70).
Assistência: 24 mil espectadores.
O técnico
Henrique Nunes, optou por um sistema táctico arrojado, sempre com William, Fernando e Hernâni perto da sua área, a proteger o guardião Pedro Soares, enquanto Jeremie ficava só, à frente, entre os centrais da casa.
Com iniciativa, mas sem espaço nem velocidade necessários para progredir na intermediária contrária, o
Benfica viu o
Arouca a dominar nos minutos iniciais e a aproximar-se com maior perigo da sua baliza, com remates de Babanco e Hélder Silva.

Até que, aos 24 minutos, um rápida troca de bola entre Salvio, Saviola e Gaitan iludiu a defesa adversária e colocou este último em óptima posição para servir a cabeça de
Kardec, que inaugurou o marcador.
Aos 31 minutos, foi a vez de
Saviola aumentar a vantagem, aproveitando, à boca da baliza um ressalto depois de a bola ter sido rematada de cabeça ao poste pelo colega de equipa Kardec, depois de um livre de Aimar.
Noutro pontapé de canto, após um desvio de uma defesa,
Kardec voltou a marcar de cabeça, em cima do intervalo, com muita facilidade, perante o desconcerto dos defesas arouquenses, mais uma vez bastante passivos na sua área.
Na segunda parte, já com Luís Filipe na direita da defesa e Airton no lugar do médio espanhol Javi Garcia, o
FC de Arouca limitou-se a assegurar um resultado pouco humilhante perante o campeão nacional.
Com o
Benfica a continuar a gerir recursos, a equipa de
Henrique Nunes nunca baixou os braços e com algum arreganho e criatividade sempre forçou o ataque, tentando chegar ao golo nesta sua estreia no Estádio da Luz.

Aos 66 minutos,
Luisão aproveitou os vários bloqueios dos colegas e surgiu ao primeiro poste, para, com uma cabeçada forte e perfeita ao ângulo superior da baliza, dar o melhor seguimento ao cruzamento milimétrico de Peixoto.
Aos 86,
Gaitan depois de uma bonita combinação com Nuno Gomes e surgiu isolado na “cara” do guarda-redes adversário, marcando o quinto golo com um toque em jeito, enquanto no minuto seguinte foi de festa dos milhares de adeptos arouquenses, graças ao golo de
Diogo, num lance de plena oportunidade à boca da baliza encarnada, um justo prémio para o empenhamento desta equipa do
Arouca que, mesmo goleada, deixou uma excelente impressão nesta deslocação ao reduto do Benfica.
Reportagem de Carlos Oliveira, em Lisboa